Roupas de menina, cabelos no estilo ‘Maria Chiquinha’, parece bem educada. Ela deve ter 5 anos de idade. Está a uns quatro metros dos pais, que estão entre os 35 e 40 anos, no balcão, esperando o farmacêutico.
A menina ‘viaja’ nas prateleiras daquela farmácia. Parece criar uma história com aquilo que vê, sem se lembrar dos pais. Eles parecem um pouco impacientes com o tempo que estão gastando até o atendimento e, por isso, não prestam muita atenção no que a filha está fazendo.
- O que é isso? – ela pergunta, apontando para um item da prateleira.
O farmacêutico chega para atender os pais. Assim como toda criança, ela quer atenção.
- Pai, mãe... O que é isso?
Eles nem olham para trás e o pai só responde ‘não mexe em nada, menina...’
- Mas pai... O que é isso?
O pai, aparentando cansaço, olha para a menina e, antes de dizer a resposta pronta que já tinha pensado, ficou pálido e engoliu as palavras. A mãe também vira e, ao ver o que era, volta a atenção para o farmacêutico numa postura ‘tomara que o pai dela ache uma resposta’.
- Não sei o que é, minha filha, coloque isso no lugar onde tirou.
- Você sabe de tudo, pai... Para que isso serve? Eu quero!
- Isso é coisa de adulto. Não sei e você também não tem que saber pra que isso serve. Anda, me dá isso aqui e não mexe mais...
- Mãe, eu quero aquilo...
- Menina, aquilo é preservativo. Não é coisa de criança. Faça o que seu pai falou. N-ã-o m-e-x-e m-a-i-s a-l-i. Você me ouviu? - diz a mãe, tentando colocar um ponto final naquela cena.
- É filha, quando você tiver cinquenta anos pode voltar a perguntar para o papai o que era aquilo...
Os pais, sem graça, se voltam para o atendente, que, junto aos demais ‘espectadores’ da cena, tentam conter o riso.
- Onde já se viu? Fazem embalagem de camisinha com moranguinhos, como se fosse desenho animado. Isso vai chamar a atenção de criança mesmo... – comenta o pai, em voz relativamente alta, tentado amenizar o clima.
Quem estava por perto ainda ouviu, em um tom mais intimista, o desabafo do pai à sua esposa:
- Tanto chocolate e doce para essa menina pedir e ela foi logo querer saber o que era camisinha...
* História baseada em fatos reais.
A criança é o espírito iluminado de Deus, mas, por ser ingênua, acaba perguntando, sem receios, pudor ou rodeios o que é uma coisa ou outra. Um bom marketing conta com a propaganda, com o que chama a atenção, daí, claro, como não haverá crianças que queiram satisfazer sua curiosidade??? Bem, o problema é que pais, geralmente, não sabem o que fazer e/ou falar nessas horas e ainda têm que contar com a sorte de não haver pessoas ali que causem ainda mais constrangimento ao fato.
ResponderExcluirAcho que uma boa pedida, seria passar certos produtos para lugares menos visíveis aos olhares desses serezinhos. =)
kkk, ilária a situação. Difícil não me colocar no lugar desses pais e impossível acreditar que não vou passar por situações semelhantes. Concordo com o comentário acima que esses produtos não deveriam ficar tão visíveis. Essas situações começam a nortear os pais sobre o momento certo para abordar determinados assuntos com os filhos. Daí vão surgindo as dúvidas e curiosidades naturais de uma criança! E que os pais tenham sabedoria para saber direcionar o tema adequadamente ao amadurecimento da criança...
ResponderExcluirMuito bom....criança é um bicho curioso mesmo...hahaha...fico tetando imaginar a cara dos pais....
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