quarta-feira, 28 de setembro de 2011

All in Rio


Não se fala em outra coisa essa semana: todo mundo está comentando sobre o maior evento de música do planeta, o Rock’n’Rio.

Os comentários são diversos, mas a maioria é implacável: o que Cláudia Leitte foi fazer nesse evento? Por que chamaram Ivete Sangalo para um festival de rock?

A resposta, ao certo, ninguém sabe. Seria marketing? Se fosse, que marketing é esse que vai de encontro à opinião da maior parte das pessoas?

Críticas, insultos, xingamentos diversos, vaias! Esse conjunto de expressões tomou o lugar dos comentários favoráveis ao espetáculo. Shows de ‘rock de verdade’ não foram tão comentados quanto a performance ‘Madonna Made in Bahia’.

A principal justificativa [e clichê] foi literal: “Rock’n’Rio” é um evento de rock. Não é micareta.” Faz todo o sentido.

Contudo, se uma observação menos superficial for feita, poderá chegar à conclusão de que o ‘Rock’n’Rio’ é, hoje, muito mais uma marca comercial que um evento de um gênero musical específico.

Em 2004, por exemplo, o Rock’n’Rio foi em Lisboa, Portugal. Não mudaram o nome. Coisa de português? Quatro anos depois, foi um evento simultâneo em duas cidades europeias: Lisboa e Madrid. Onde ficou o Rio nisso tudo?

O problema é que brasileiro gosta de reclamar. Compra o ingresso para um espetáculo cujas bandas são anunciadas e mesmo assim reclama. Vai a um evento grandioso, com várias atrações, mas prefere se reunir em frente a um palco onde se apresenta uma artista nacional para vaiá-la e, com isso, mostrar que é um cidadão de ‘opinião formada’.

Na mesma noite, o mesmo público que vaiou a estagiária da Madonna assiste ao show de uma cantora pop criada pela indústria musical estrangeira. Entretanto, o simples fato de não ser brasileira já a torna isenta de qualquer crítica, mesmo não tendo a voz de uma cantora de rock, tampouco uma postura que faça seu show lembrar um evento do gênero.

Falta bom senso.

Criticar as cantoras é um tanto quanto leviano. Obviamente, elas abusam da boa vontade de público com suas apresentações de trio elétrico. Porém, no lugar delas, com o cachê que devem receber, quem recusaria?

Declarações do tipo ‘Não vou cantar rock para conquistar o público’ também são desnecessárias, uma vez que não mudar o estilo pode ser questão de personalidade, mas, ao mesmo tempo, desafiar o público e ter excesso de autoestima pode ser combustível para um coro de vaias.


Dessa forma, faltou bom senso aos organizadores do festival, que são os responsáveis pelos contratos assinados com os artistas. Faltou planejamento na distribuição dos shows a cada dia e em cada palco.

O evento já está acontecendo, não tem como mudar nada, ou melhor, o público pode mudar sua postura valorizando um pouco mais daquilo que é do seu país, nem que, para isso, deixe de ficar na frente do palco nessas apresentações.

O momento de questionar as atrações do festival já passou para o Rock’n’Rio 2011. Agora, para fazer o evento voltar às suas origens, é necessária uma crítica mais forte do público já no início dos comentários referentes ao próximo espetáculo. Caso contrário, o jeito será voltar com todos os clichês para questionar a participação do Calypso, MCs e demais ‘artistas populares’ do nosso país.

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