quinta-feira, 7 de julho de 2011

Circo sobre rodas

Buzinas. Ônibus acelerando e freando. Mais buzinas.

Pessoas em volta começam a observar a situação. Passageiros se despertam, percebem algo fora do comum. Mais buzinas, acompanhadas, dessa vez, de gestos grotescos de um motorista nervoso, exaltado.

- Saia da frente, vou virar nessa rua, olha o monte de espaço na sua frente! - esbraveja o motorista, convencido de que a preferência é dele.

Não é. O carro que tanto o incomoda, dirigido por uma mulher, está parado antes da rua em que ele iria entrar. Existe, a alguns metros dali, um semáforo fechado. A mulher tem a atitude correta: no lugar onde está, permite a conversão dos veículos da rua transversal, sem congestionar o trânsito da via.

O motorista do ônibus, que deve ter um código de trânsito particular, invade a contra-mão da pista para ultrapassar a mulher e satisfazer seu ego.

Ela, por sua vez, brigando pelos seus direitos, desloca o carro para frente, impedindo a passagem do motorista que, a propósito, já fecha a passagem dos veículos que vem em sentido contrário.

Buzinas. De diversos carros, mas, agora, a mais sonora é a do automóvel da mulher, que ‘descansou’ a mão sobre o volante, em sinal de protesto.

O outro motorista, causador de toda a confusão e que já está com o ônibus atrapalhando todo o fluxo, começa a qualificar a mulher com todos os adjetivos bizarros imagináveis. ‘Galinha’ é um dos mais suaves, para critério de exemplificação.

Por fim, o motorista revoltado ‘convida’ a mulher para descer do carro e entrar no ônibus para ela ‘ver o que é bom’.

O sinal abre, ele acelera, entra na rua que tanto queria – muito acima da velocidade permitida – e segue seu caminho.

Não se sabe o que aconteceu depois, no local do episódio, nem de como ficou a motorista agredida. Os passageiros do ônibus, apreensivos com a discussão, voltaram a manifestar a mesma cara de paisagem que tinham antes do circo, como se nada tivesse acontecido.


A situação não é inédita. Várias pessoas já presenciaram isso, seja como passageiros do ônibus, como pedestres ou como motoristas de outros carros.

Todo mundo se assusta com a cena, mas quase ninguém toma uma atitude para tentar melhorar a situação. Ninguém vai mudar o mundo sozinho e seria um tanto quanto demagógico pensar isso. Contudo, dá para fazer um mínimo esforço e tomar uma atitude, denunciando o acontecido, por exemplo.

Em Belo Horizonte, a BHTrans – por pior que seja – disponibiliza uma central de atendimento, de ligação gratuita, através do número 156. O processo é rápido e parece sério. Tente anotar a placa e/ ou o número do ônibus. Estas informações são importantes.

Não se sabe se o problema será resolvido ou, pelo menos, amenizado. De qualquer forma, vale a pena denunciar, nem que seja para ter a sensação de desabafo ou de ‘dever cumprido’.

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