quarta-feira, 15 de junho de 2011

BHTrans(torno)

Cinquenta e três reais. Este é o valor da nova multa que a BHTrans(torno) inventou para tirar dinheiro dos motoristas da capital mineira.

Arte: @kellynhagusmao
A proposta, agora, é de instalar novos radares – acredite, mais radares! – nos grandes corredores de trânsito de Belo Horizonte. Ao contrário dos demais, os novos aparelhos não serão utilizados para controlar a velocidade dos veículos, mas passarão a fiscalizar a invasão de carros de passeio nas pistas exclusivas para ônibus.

Imagine uma situação prática, comum no dia a dia: um motorista está indo para determinado lugar pela primeira vez e não possui GPS. A tendência é que ele se mantenha maior parte do tempo na pista da direita, para tentar se guiar pelas placas de sinalização – quase inexistentes – e para não prejudicar o fluxo de veículos nas outras faixas.

A partir de agora, se o motorista tiver essa atitude, será multado. Entretanto, é possível recorrer. E a burocracia para questionar uma multa? Dispensa comentários.

Radar em veículos em movimento para fiscalizar outros carros que excedam o limite de velocidade, radar na descida, radar na reta, radar na curva, radar na subida, radar móvel. Radar, radar, radar, roubar. Parece ser essa a lógica adotada pela empresa que ‘gerencia’ o trânsito de Belo Horizonte.

Como se não bastasse a multa por falar ao celular, por estacionar em local proibido, por parar sobre a faixa, por avançar o sinal - dentre várias outras que realmente devem ser aplicadas - têm sido criadas, constantemente, formas de arrecadar dinheiro do cidadão comum.

A sinalização das vias é deficitária, as ruas e avenidas não são bem conservadas, a programação dos semáforos não é lógica, o transporte coletivo – muito caro, por sinal – deixa a desejar na prestação de serviços.

O metrô parece projeto futurístico, enquanto o tão comentado BRT (Transporte Rápido por Ônibus) parece ser mais uma alternativa para arrecadar dinheiro público e pouco acrescentar à vida da população.

Seria imprudente negar que os motoristas têm sua parcela de culpa nessa história. A irresponsabilidade e falta de educação ao volante são algumas das justificativas que a BHTrans utiliza para a aplicação desenfreada de multas.

Contudo, já que é a única empresa da categoria na cidade, ao invés de trabalhar diretamente com a arrecadação de multas geradas por infrações, não seria mais conveniente e correto atuar com a educação daqueles que estão no trânsito todos os dias?

Será mesmo que os motoristas não ultrapassam o limite de velocidade onde não há radar? Será que não dirigem bêbados ou sem cinto de segurança onde não existe fiscalização?

Educar dá trabalho e nem todo trabalho gera riqueza, o que, neste caso, não é interessante.

O contexto atual já tem perfil de desfecho: transtorno e caos para muitos, solução para poucos.

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