sábado, 14 de maio de 2011

Câmera escondida?

Sábado à tarde numa grande cidade. Um convite para a comemoração de aniversário de uma amiga é feito e você se anima a prestigiar a ocasião, por mais que a casa em que o aniversário será comemorado ofereça, como ‘prato principal’, o samba.

Sim, somos brasileiros e deveríamos ter o ritmo musical pré-determinado em nosso DNA, mas, infelizmente, não é bem assim... Ou, pelo menos, você pensava não ser assim...

De qualquer forma, amizade é amizade. Você resolve sair, rever velhos amigos. Decide, inclusive, testar o transporte público da sua cidade em pleno sábado. Loucura? Sim, é fato. Entretanto, o ser humano comete erros com certa frequência, né? Faz parte...

Depois de ‘mofar’ por um tempo à espera da porcaria do ônibus, você, ainda com disposição, entra no veículo e, sem saber que é o primeiro dia daquele cobrador na linha, xinga o profissional, ironizando a boa prestação de serviços.

A passagem é paga. Ao passar pela roleta do ônibus, tem-se a certeza de que ele está cheio e, para piorar, está repleto de adolescentes chatos (sim, isso é redundante). O único lugar disponível, pela Lei de Murphy, é, acreditem, ao lado dos pirralhos.

Na falta de opção, você se senta e passa a observar e refletir, com medo, sobre o futuro do país. Adolescentes que aparentam ser de classe média numa postura deplorável: meninas sentam sem menor pudor no colo dos rapazes, fazendo brincadeiras provocantes, chegando ao ponto de deixar os pirralhos sem graça e sendo convidadas a se sentarem em um lugar mais apropriado. Elas pouco se importam e continuam com seus ‘joguinhos de sedução’, ignorando completamente o resto do mundo que está ali em volta.

Eles descem do ônibus. Outras pessoas entram, sentam ao seu lado.

- Menino, que cheiro bom! Que perfume é esse que você está usando?

Podia ser a Gisele Bündchen, mas o estresse já estava alto: o ônibus demorou e adolescentes irritam qualquer um. Antes que surjam questionamentos do tipo, taí a resposta: não, ela não era ‘pegável’. Antes fosse...

- Two one two Sexy.

Cara de paisagem da moça que perguntou.

- Na embalagem tem escrito 212 Sexy.

- Ah tá... É muito bom. É de que marca?

Não querendo render o papo...

- Não sei direito, acho que é Carolina alguma coisa. Carolina Herrera.

- Muito bom. É internacional, né?

- É. ‘Internacional'...

- Onde você comprou?

Conversar em ônibus é muito chato. Nessa hora, mais uma desculpa qualquer...

- Eu ganhei de presente de uma amiga que viajou para fora...

- Ah tá, legal... Sabe alguma loja que vende desse perfume por aqui?

Acho que não sei ‘fazer cara’ de quem não está a fim de papo...

- Não, não sei, viu... Algumas lojas do shopping devem vender, mas não sei indicar uma.

- Hmmm... Nossa, estou cansada, voltando do trabalho agora. Doida para descansar.

- Hmm.

- Você está saindo do trabalho agora também?

- Não.

Procurei para ver se havia alguma câmera escondida. Ela deu o sinal. Respirei fundo, aliviado.

- Bom, tchau, então... Muito bom o perfume, viu?

Hora de dar o famoso ‘sorriso amarelo’.

- Obrigado, bom descanso... Tchau!

Não, não tinha nenhuma câmera escondida.

3 comentários:

  1. Não sabia que além de ser o cheiroso do ônibus, ganhou "de quebra" uma namorada, rs

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  2. isso já aconteceu comigo demais...era hora de comprar um carro...

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