segunda-feira, 7 de março de 2011

Feliz todo-dia das mulheres

Dia 8 de março. Dia internacional da mulher.

Mais uma data meramente representativa, pouco significativa, que o comércio criou para faturar além do normal. Certo? Não necessariamente...

Assistindo a algumas matérias relacionadas e relembrando um pouco da história que existe por trás dessa comemoração, torna-se possível analisar melhor o motivo de uma data específica para tal homenagem.

É curioso pensar em como o mundo evolui de um século para o outro.

No século XIX, por exemplo, mulheres trabalhadoras (trabalhadoras mesmo, a jornada de trabalho era de 16 horas diárias!) reivindicavam melhores condições de trabalho, redução de carga horária e um equilíbrio entre os salários, já que desempenhavam funções semelhantes àquelas realizadas pelos homens, mas recebiam apenas 30% do que eles ganhavam.

O resultado dessa reivindicação? Mais de 100 mulheres morreram queimadas por um incêndio (várias causas podem ser encontradas em pesquisas da internet) em uma daquelas fábricas escravocratas.

Mas as coisas mudam. Devagar, mas mudam.

O tempo passou e as mulheres conseguiram mais destaque no mercado. Agora, elas saem para trabalhar com os maridos, ajudam nas contas de casa, ocupam cargos até então majoritariamente masculinos, conquistam seus espaços.

O problema é que divergências ainda são vistas.

A Fundação João Pinheiro divulgou, na última semana, uma pesquisa para a Região Metropolitana de Belo Horizonte, mas que pode ser interpretada como uma amostra do que ainda acontece no mundo.

A participação das mulheres no mercado de trabalho vem aumentando (de 48,9% em 2000 para 50,8% em 2010), assim como o nível de escolaridade: mulheres com ensino superior já superam os homens com mesma formação em cerca de 2%.

Entretanto, o salário ainda continua menor. Comparando-se atividades semelhantes entre ambos os sexos, percebe-se que o rendimento delas não alcança, ainda, nem 80% do valor recebido pelos homens.

Ainda há muito que melhorar. Mas isso não é e nem pode ser um empecilho para elas, que já vem mostrando suas garras, com ou sem esmalte.

O mais interessante é que o processo é silencioso. E acredito que deve ser feito dessa forma. Deve ser mais prazeroso. Elas chegam lá, certamente, com seus próprios méritos. Isso já não é feito no dia-a-dia? Afinal, qual seria a graça de ganhar no grito ou com ajuda do ‘cavalheirismo’? Reserva de vagas? Elas não precisam disso.

Assim sendo, é realmente interessante criar um dia internacional para uma homenagem específica, para uma lembrança oportuna, que, na pressa do cotidiano conturbado, não se faz.

A todas as mulheres, então, um feliz todo-dia das mulheres!

***

Links relacionados

- Maria, Maria - Milton Nascimento

4 comentários:

  1. Ótimo texto! Obrigada! Abraço, Mary

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  2. Adorei o reconhecimento... rs rs. Sem contar, que, em muitos lares, os 'ganhos' das mulheres já superam os dos homens... A quantidade de filhos por família diminuiu, mas aumentam-se as exigências do mercado e da própria família em relação aos pequenos (escola particular caríssima, inglês, natação, futebol, música, informática, balé, etc e etc). Daí não dá para a mulher abrir mão do seu trabalho, pois, muitas vezes, o homem não consegue arcar com todas a despesas da casa e ainda proporcionar essa 'educação'/cultura/lazer aos filhos. E, além de trabalhar 'fora', as responsabilidades da casa ainda continuam sendo dela, mesmo que tenha alguém para auxiliar com as tarefas domésticas, ainda lhe cabe a atividade de gerenciar tudo, além de cuidar de todos os detalhes das crianças. Por mais que o homem auxilia, tudo isso ainda é responsabilidade da mulher. Mas Deus nos fez fortes. Damos conta. kkk

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  3. Dá uma olhada nesse vídeo de uma amiga, é uma obra de ficção, mas interessante para ser comentada, rs. Acho que combina com seu post do dia das mulheres...
    http://www.youtube.com/watch?v=O87OLJTaQmc&feature=player_embedded

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  4. Vídeo interessante, Priscila!

    Seria legal tê-lo visto antes do texto finalizado, pois, assim, daria para contrapor 2 situações bem interessantes sobre essa 'igualdade de direitos'. E isso é polêmico.

    Mostrei o vídeo indicado para uma amiga, que não gostou nem um pouco da ideia e criticou a fala da atriz.

    Por outro lado, já ouvi várias mulheres com o mesmo tipo de desabafo.

    Isso é muito engraçado. Só prova, mais uma vez, que não para entender vocês...

    Obrigado pela dica do vídeo! Vou disponibilizá-lo como link relacionado no texto.

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