Bullying: essa é a expressão do momento. Jornais, revistas, documentários, programas de fofoca e toda a mídia têm trazido essa palavra constantemente para discussão e reflexão.
A palavra bullying - chata de escrever – tem origem inglesa e serve para definir, de modo geral, os atos de violência física e/ou psicológica, intencionais e frequentes, praticados por uma pessoa ou grupo de indivíduos contra uma vítima indefesa na fase escolar. O intuito, na maioria das vezes, é intimidar ou ampliar características peculiares de alguém, tornando-as públicas e, por consequência, causando constrangimento.
Atualmente, essa palavra virou rótulo para definir qualquer problema relacionado à descrição acima. Para critério de comparação, o bullying é utilizado, hoje, na vida escolar, com a mesma frequência de quando se vai ao médico e, sem definição, ele diz que o problema ‘não passa de uma virose’.
O problema existe na sociedade, isso é fato. Inúmeras crianças sofrem humilhações na frente dos seus colegas, as famosas ‘zoações’. Brincadeiras sobre o uso de óculos, grande ou pequena quantidade de massa corporal, altura, cor de cabelo, cor de pele, sotaque, religião, deficiência de aprendizado e grupo de amigos são alguns exemplos de como esse ataque pode ser visto nas escolas de hoje.
Entretanto, o problema também era visto nas escolas de antigamente. Sempre existiu esse tipo de brincadeira sem graça, crianças sempre se uniram para provocar as outras. Seria um tanto quanto leviano pensar que meninos e meninas de duas décadas passadas se comportavam de modo exemplar, sem confrontos ou desentendimentos.
Quem nunca teve um amigo rejeitado? Quem nunca sofreu alguma zoação? Quem nunca riu de um colega por um problema aparente?
A diferença é que, antigamente, as pendências eram resolvidas na própria escola, na hora. Quando não, as crianças procuravam os pais, muito mais presentes e conscientes, e estes, por sua vez, entravam em contato com os professores e coordenadores - que eram uma extensão da família - procurando saber a história real e a melhor forma de resolvê-la.
O tempo passa e a história muda, evolui, apesar de existir regressão em muitos aspectos. As escolas estão menos exigentes, os pais são mais ausentes e as crianças mais prepotentes. Há relatos de que estudantes de 5 ou 6 anos de idade já são expulsos de sala de aula por perturbar o ambiente. Há 20, 30 anos, crianças ainda levavam maçãs para as professoras, que eram chamadas de tias e eram prontamente obedecidas.
Hoje, os pequenos alunos já falam de seus direitos. Ao serem questionados ou repreendidos pela bagunça, citam o direito de livre expressão, o de ir e vir, além de ameaçar abrir um processo por bullying (sim, eles já sabem o significado!).
Alguns são mais passivos. Preferem guardar a humilhação e o rancor, sem comunicar nada a ninguém e, após anos de amargura, se vingam como bem entendem.
O que estaria causando essa mudança radical nas crianças? Acesso ilimitado à informação; pais ausentes; professores despreparados; falta de fé e de crença em alguma religião; hábitos e costumes perdidos, mas que deveriam estar presentes nessa fase da vida?
O que estaria provocando esse distanciamento entre pais e filhos? A educação inicial, aquela que deve vir de casa, tem existido?
E a escola? Falta investimento em corpo docente, capacitação dos funcionários, atenção especial para os alunos, motivação?
A imprensa tem sido ética? A censura não é viável, claro, mas até que ponto esse excesso de informação - sem moderação - não prejudica o desenvolvimento da sociedade?
Esqueçam essa questão de bullying. As crianças de antigamente eram muito mais felizes sem esses novos termos exploradores que causam dependência, que surgem para tentar justificar a ausência de dois termos simples e primordiais na vida de qualquer um: o respeito e a educação.
Se estes fatores fossem levados a sério, desde o início da vida de uma criança, não haveria tanto exemplo de desvios de conduta em pessoas aparentemente inocentes, tampouco seria necessário a criação de expressões para rotular problemas cuja solução está ao alcance de todos.
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